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sábado, 13 de setembro de 2008
























O MAL NÃO É PARA TODOS

"O mundo sempre esteve divido entre bons e maus e desde tenra idade pareceu-me desde logo evidente que existia um lobby a favor dos bons: "Vais ser um bom rapazinho!", "Vais ser uma menina muito bonita, não é?". O simples facto de existir um lobby já não é coisa boa, na verdade, é mais coisa de maus. E, Entre os bons, os que praticam o bem, existe uma subcategoria assinalável. Não os bons-maus (que isso não existe) mas sim os bons samaritanos. Isto é, as pessoas para as quais a bondade não tem limites e que muitas vezes são confundidos com os vulgares "Totós". Ora bem, um bom samaritano pode vir a dar um belíssimo "Tótó", do mesmo modo que quem começa a praticar yoga é quase certo que em breve será vegetariano e mais tarde militante da Quercus.

O problema aqui, é que este conceito de bondade parte de um princípio errado, precisamente o que dá a entender que ela possa eventualmente ter limites. E não tem. Pensem numa característica boa: a paciência, por exemplo. E agora digam-me lá quantas vezes já não terão usado a expressão "Tu estás a esgotar-me a paciência" ou "Eu não tenho mais paciência para ti!". Cá está, eis a prova. A paciência (que foi um exemplo absolutamente aleatório) esgota-se, acaba e mesmo as pessoas que mentem dizendo "Eu não tenho paciência" é óbvio que já a tiveram. Quer isto dizer que a bondade tem limites sim, que acaba, que esgota, que a partir de determinado momento, quando estão a abusar "Estás a abusar da minha boa bondade" amua e aniquila-se como se fizesse um perfeito e honroso hara kiri. Ora, a maldade não usa nada disto e como decerto compreenderão, não tem limites. Aliás, os maus costumam até brincar com isso dizendo uns aos outros "O céu é o limite" mas nem isso é verdade.

A maldade, quando bem-feita, o que pode ter é uma coisa muito bonita que se chama: requinte. Requintes de malvadez. E isso é o que distingue o vulgar criminoso de alguém da alta sociedade dos maus: o requinte. Uma forma aristocrata de fazer o mal, mas de modo a que todos comentem isso no dia a seguir com pormenor. Algo como: Mas então Dona Clara, já sabe aqui a do vizinho do lado? Então não é que apanhou a mulher com o amante e antes de lhe dar um tiro no pé, fez questão de lhe mostrar uma t-shirt que tinha vestida que dizia "Eu sei que tens um amante mas diz lá que está t-shirt não é bem gira?" E olhe, primeiro obrigou-a a ler em voz alta e só depois é que lhe acertou em cheio. Uma pena, uma senhora tão nova e já a coxear".

Aqui está: o requinte. Não houvesse este pormenor e não haveria esta maldade boa, esta instrução, esta elegância e criatividade em praticar o mal. Porque o bem pode ser para todos, mas este mal aveludado e com requinte só está ao alcance de alguns."

fernando alvim.
(para os que tem falhado a leitura, as férias acabaram!)

o 5º dos infernos.

ter ou não ter blog,
atender ou rejeitar chamadas,
aparecer ou desaparecer... 

para uns e para outros,
porque uma certeza todos temos:
vamos todos aqui parar.

o INFERNO chegou, 
façam dele a vossa segunda casa.